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A ação aconteceu na manhã da quinta-feira, 11, quando agricultores do Perímetro Irrigado Icó-Lima Campos abriram com enxadas, chibancas e outras ferramentas uma parte da parede de uma barragem auxiliar, construída no Sítio Montante, no açude Orós. A ação, considerada ilegal pela COGERH, tem a intenção de liberar água para o açude Lima Campos até chegar às áreas de produção agrícola, em Icó.

O local que foi aberto ainda continua escorrendo água do Orós para reabastecer o açude Lima Campos. “A intenção dos agricultores é que essa água possa irrigar as áreas de produção agrícola e ajudar também o abastecimento humano em Icó, beneficiando mais de 13 comunidades que necessitam dessa água. Eles fizeram pedidos em nome da ADICOL – Associação do Perímetro Irrigado Icó – Lima Campos, da Federação da Associações Comunitárias de Icó solicitassem junta à COGERH, a religação da adutora, isso já tem mais de um mês, mas a solicitação não foi atendida até o momento. Os agricultores resolveram, por conta própria, abrir para a passagem de água”, explicou Francisco Canindé, presidente da ADICOL.

A Cogerh não decidiu se vai fazer o reparo na parede ou se vai deixar a água escorrer até o nível de gravidade – FOTO WB

Triste realidade

Segundo ainda a ADICOL, nos últimos cinco anos os irrigantes tiveram prejuízos elevados com a perda na agricultura e pecuária. O perímetro irrigado tem 2.800 hectares de áreas agriculturáveis, menos de 10% desse total está sendo aproveitado para a agricultura, fruticultura e criação de animais, isso por falta de água. “O Orós, segundo o DNOCS, tem 38% da capacidade, o Lima Campos, apenas 17%. O Orós deveria já está liberando água para socorrer também essas comunidades. Apesar de o inverno ter sido bom neste ano, há muitas comunidades necessitando dessa água. A realidade do perímetro irrigado é triste”, acrescentou Canindé.

O açude Orós tem capacidade para armazenar 1.840,000m³ (um bilhão novecentos e quarenta milhões de metros cúbicos), está com 28% desse volume. Já o Lima Campos acumula 17%, de acordo com o Portal Hidrológico da COGERH. “Nós, irrigantes, investimos para melhorar a estrutura de nossas propriedades, com irrigação mais econômica, ninguém produz mais por inundação, porque sabemos dos prejuízos que pelo desperdício de água. Estamos com dívidas nos bancos, precisamos da água para trabalhar e abastecimento das nossas comunidades rurais”, ressaltou o irrigante João do Carmo Parnaíba, presidente da Federação das Associações Comunitárias de Icó.

A ação é considerada ilegal pela Cogerh, e tem a intenção de liberar água para o Açude Lima Campos –

Precipitação

A direção de operações da COGERH classificou a ação dos agricultores como ‘precipitada’ causando prejuízo ao patrimônio público e para as próprias comunidades rurais. A COGERH não decidiu se vai fazer o reparo na parede ou se vai deixar a água escorrer até o nível de gravidade. Em relação à religação da adutora utilizada para transposição da água entre os dois açudes, a COGERH explicou ainda que só pode ser retomada, após reunião de alocação que deve ocorrer em julho, próximo.

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